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Mostrando postagens de julho, 2026

ESTUDO SOBRE O QUILOMBO LIMITÃO DE CASTRO-PR

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O Quilombo Limitão, em Castro (PR), carrega uma história de muitas décadas de luta, medo e esperança. Seu tesoureiro, Seu João Pedro, contou em entrevista como a comunidade viveu a chegada da energia elétrica, a construção do poço comunitário e a vacinação na pandemia, mas também enfrentou o descaso com a estrada, a falta de transporte escolar e a ameaça constante de perder a terra para as firmas de plantio de pinos. O medo de "tomarem terra" não é à toa. Ele vem de um passado de expropriação que começou ainda no século XIX, quando os escravos carmelitas da Fazenda Capão Alto foram vendidos e dispersos. Os descendentes que formaram o Limitão nunca receberam do Estado o documento que reconhece o território como quilombola de fato e de direito. Sem a titulação, a comunidade fica frágil. Os jovens vão embora por falta de serviço, os serviços públicos não chegam, e a terra, que é a base da identidade e da memória, pode ser tomada a qualquer momento. Por isso, a luta do Limitão nã...

CANETADAS DETERMINANDO O QUE É PATRIMÔNIO CULTURAL NO BRASIL...

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QUANDO A CANETADA DETERMINA O QUE É UM PATRIMÔNIO CULTURAL RESUMO O artigo analisa a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei nº 3839/2024 , que reconhece o hip hop como manifestação da cultura nacional. O texto examina o fenômeno mais amplo da patrimonialização por via legislativa, que vem substituindo os estudos técnicos e a participação comunitária por iniciativas de cunho político eleitoreiro. Dialogando com a teoria crítica do patrimônio e com a noção de "fetiche legislativo" (COSTA, 2023), o artigo argumenta que o reconhecimento do hip hop, embora meritório em seu conteúdo simbólico, foi realizado sem o devido processo de registro junto ao IPHAN, sem consulta aos detentores da cultura e sem a definição de políticas públicas efetivas de salvaguarda. O texto conclui que a aprovação da lei, na forma como ocorreu, banaliza o conceito de patrimônio cultural imaterial e fragiliza as instituições de preservação, transformando o reconhecimento cultural em moeda d...

O Olhar Andradiano

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O presente artigo analisa a contribuição de Mário de Andrade para a construção do pensamento patrimonial brasileiro a partir de suas viagens ao Norte e Nordeste do país entre 1927 e 1929. A experiência do escritor modernista como viajante e etnógrafo amador resultou no diário O Turista Aprendiz, obra que registra não apenas as paisagens e gentes brasileiras, mas também um profundo questionamento sobre a identidade nacional e os rumos da cultura no Brasil. O artigo examina como as observações de Mário durante suas expedições, expressas em suas crônicas e reflexões de viagem, antecederam e influenciaram a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) em 1937, especialmente por meio do Anteprojeto de Preservação do Patrimônio Artístico Nacional redigido em 1936. A pesquisa demonstra que a visão pluralista e etnográfica de Mário de Andrade, embora não plenamente incorporada à legislação inicial do órgão, antecipou conceitos fundamentais para a preservação do patri...