ESTUDO SOBRE O QUILOMBO LIMITÃO DE CASTRO-PR
O Quilombo Limitão, em Castro (PR), carrega uma história de muitas décadas de luta, medo e esperança. Seu tesoureiro, Seu João Pedro, contou em entrevista como a comunidade viveu a chegada da energia elétrica, a construção do poço comunitário e a vacinação na pandemia, mas também enfrentou o descaso com a estrada, a falta de transporte escolar e a ameaça constante de perder a terra para as firmas de plantio de pinos.
O medo de "tomarem terra" não é à toa. Ele vem de um passado de expropriação que começou ainda no século XIX, quando os escravos carmelitas da Fazenda Capão Alto foram vendidos e dispersos. Os descendentes que formaram o Limitão nunca receberam do Estado o documento que reconhece o território como quilombola de fato e de direito.
Sem a titulação, a comunidade fica frágil. Os jovens vão embora por falta de serviço, os serviços públicos não chegam, e a terra, que é a base da identidade e da memória, pode ser tomada a qualquer momento. Por isso, a luta do Limitão não é só por um pedaço de chão. É por reparação histórica.
A Constituição de 1988 garantiu o direito à terra para os remanescentes de quilombos, mas a promessa ainda não se cumpriu para o Limitão. Enquanto isso, a comunidade resiste, guarda suas memórias e espera que o Brasil finalmente pague sua dívida com quem construiu este país com suor e sangue.
Titular a terra do Quilombo Limitão não é favor. É justiça. É garantir que essa história não vire apenas lembrança, mas continue viva no futuro.
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Imagem: Quilombos Castro-PR / Instagram
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