O presente artigo analisa a contribuição de Mário de Andrade para a construção do pensamento patrimonial brasileiro a partir de suas viagens ao Norte e Nordeste do país entre 1927 e 1929. A experiência do escritor modernista como viajante e etnógrafo amador resultou no diário O Turista Aprendiz, obra que registra não apenas as paisagens e gentes brasileiras, mas também um profundo questionamento sobre a identidade nacional e os rumos da cultura no Brasil. O artigo examina como as observações de Mário durante suas expedições, expressas em suas crônicas e reflexões de viagem, antecederam e influenciaram a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) em 1937, especialmente por meio do Anteprojeto de Preservação do Patrimônio Artístico Nacional redigido em 1936. A pesquisa demonstra que a visão pluralista e etnográfica de Mário de Andrade, embora não plenamente incorporada à legislação inicial do órgão, antecipou conceitos fundamentais para a preservação do patri...
O Conexão Patrimônio Brasil, CNPR-BR, nasceu em 15 de maio de 2025, como uma iniciativa simples, livre, autônoma e independente voltada à divulgação do Paraná, de suas cidades, histórias e identidades culturais. Com o tempo, o projeto expandiu-se para o campo da pesquisa e da difusão histórica, passando a atuar de forma mais ampla na valorização da memória, da cultura e do patrimônio histórico-cultural paranaense. Em maio de 2026, o CNPR-BR iniciou uma nova etapa de expansão nacional. Por meio de diferentes parcerias e colaborações, o projeto passou a desenvolver pesquisas, estudos e ações de difusão em âmbito brasileiro, ampliando suas atividades para além do Paraná e consolidando uma proposta voltada à documentação, preservação e divulgação do patrimônio cultural em todo o território nacional, sob a perspectiva do Olhar Andradi...
Imagem: Instagram/Gepic. Uma pesquisa histórica desenvolvida em Ponta Grossa vem levantando uma discussão ainda pouco explorada no Brasil: um cursinho popular voluntário pode se tornar uma referência cultural de uma cidade? O estudo analisa o Grupo de Estudos Pré-Vestibular Imaculada Conceição (GEPIC), conhecido há quase vinte anos como o tradicional “cursinho da Igrejinha de Uvaranas”. A proposta da pesquisa, respeitando o método e o rigor indispensáveis à investigação histórica, não é afirmar que o projeto já constitua oficialmente um patrimônio cultural, mas compreender de que maneira iniciativas comunitárias de educação popular podem produzir memória coletiva, sentimento de pertencimento e significativo impacto social no espaço urbano. Ao longo de quase duas décadas, o GEPIC, segundo informações do site , auxiliou milhares de estudantes de forma totalmente voluntária, tornando-se referência para gerações de jovens ponta-grossenses que sonham com o ingresso na universidade. Segundo ...
Embora o Brasil seja reconhecido mundialmente por seu clima predominantemente tropical, os invernos rigorosos do Sul do país ocasionalmente proporcionam cenários incomuns. Um desses momentos ocorreu em julho de 1981, quando a neve atingiu diversas localidades paranaenses, incluindo o município de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. O registro fotográfico, pertencente ao acervo de Bel Zan e compartilhado pelo grupo Ponta Grossa Memória Viva , eterniza um raro episódio meteorológico na cidade. A imagem foi capturada na Praça Barão do Rio Branco, um dos espaços públicos mais tradicionais do centro ponta-grossense. Ao fundo, destaca-se a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, um dos mais importantes patrimônios históricos e religiosos do município. As baixas temperaturas daquele inverno foram resultado da intensa incursão de uma massa de ar polar sobre o Sul do Brasil. Em várias cidades paranaenses foram registrados episódios de geada forte e precipitação de neve, fenômeno relativamente raro no ...
O Quilombo Limitão, em Castro (PR), carrega uma história de muitas décadas de luta, medo e esperança. Seu tesoureiro, Seu João Pedro, contou em entrevista como a comunidade viveu a chegada da energia elétrica, a construção do poço comunitário e a vacinação na pandemia, mas também enfrentou o descaso com a estrada, a falta de transporte escolar e a ameaça constante de perder a terra para as firmas de plantio de pinos. O medo de "tomarem terra" não é à toa. Ele vem de um passado de expropriação que começou ainda no século XIX, quando os escravos carmelitas da Fazenda Capão Alto foram vendidos e dispersos. Os descendentes que formaram o Limitão nunca receberam do Estado o documento que reconhece o território como quilombola de fato e de direito. Sem a titulação, a comunidade fica frágil. Os jovens vão embora por falta de serviço, os serviços públicos não chegam, e a terra, que é a base da identidade e da memória, pode ser tomada a qualquer momento. Por isso, a luta do Limitão nã...
O 2º Grupamento de Bombeiros de Ponta Grossa , (Foto de 1940) no estado do Paraná, integra hoje uma rede de atendimento operacional que cobre 18 municípios da região dos Campos Gerais , servindo uma população estimada em cerca de 800 mil pessoas. Sua origem remonta à Lei nº 16, de 29 de março de 1937 , promulgada durante a administração do prefeito Albary Guimarães , que autorizou a criação da unidade. Apesar da lei de criação, a instalação efetiva do Grupamento ocorreu somente em 13 de agosto de 1939 , marca registrada como data de fundação pelo Corpo de Bombeiros . (BOMBEIROS PR, 2009; PONTA GROSSA HISTÓRICA, 1940) Desde sua fundação, o quartel central foi erguido na praça Roosevelt , no centro de Ponta Grossa, após uma demonstração pública com carro-bomba tanque realizada na Avenida Dr. Vicente Machado , sob liderança do capitão Meister , comandante do Corpo de Bombeiros de Curitiba , auxiliado por quatro bombeiros. Essa demonstração teve forte significado simbólico, pois marc...
A fotografia, atribuída a 1984, captura a entrada do antigo Hotel Tibagi , um marco arquitetônico na Alameda Dr. Carlos de Carvalho, em Curitiba. Além de revelar detalhes da fachada, a imagem nos transporta para uma época em que o uso do cartão de estacionamento rotativo era obrigatório na capital, funcionando das 9h às 19h em dias úteis e até as 13h aos sábados. Projetado em 1972 pelos renomados arquitetos Jaime Lerner e Domingos Bongestabs , o edifício se destacou por seu design moderno e funcional. Com 14 andares, 52 apartamentos e quase 3 mil metros quadrados, a construção possuía uma inovação notável: o bloco de apartamentos atravessava a quadra, conectando a Alameda Dr. Carlos de Carvalho à Rua Cândido Lopes. Essa característica oferecia uma conveniência rara aos hóspedes, permitindo o embarque e desembarque por duas vias. O estacionamento em 45 graus, visível na foto, ainda hoje preserva cinco vagas em frente ao prédio, mantendo um elo com o passado urbanístico da cidade....
O resumo abaixo é parte de um trabalho de pesquisa dentro do Curso de Bacharelado em História na UEPG, sobre a Comunidade Remascente Quilombola ( CRQ Sutil ) realizado durante o ano de 2025 e foi apresentado no 2° Colóquio, Patrimônio e Educação - Patrimônios em Risco da Associação de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural (APPAC) no mês de Setembro de 2025, na UEPG. POLÍTICAS DE REPARAÇÃO E O QUILOMBO SUTIL: MEMÓRIA, TERRITORIALIDADE E LUTA POR DIREITOS EM PONTA GROSSA (PR) RESUMO O presente trabalho analisa a relação entre políticas de reparação e direitos territoriais na Comunidade Quilombola do Sutil ( Ponta Grossa -PR), cujo território e práticas culturais possuem valor histórico, simbólico e identitário. Busca-se compreender como políticas públicas, instrumentos legais e ações institucionais atuam no processo de reconhecimento e titulação da terra, preservando a c...
David dos Santos Pacheco, o Barão dos Campos Gerais (ao centro da imagem). Registro feito na cidade da Lapa, em data não especificada. As demais fotos mostram o Monumento ao Barão , também localizado na Lapa. 📎 Mais informações sobre o Barão: tinyurl.com/baraocamposgerais 📷 Imagens dos acervos Fotos Antigas do Paraná e Canal da Cidade – Lapa .
Em um passo importantíssimo para História de Ponta Grossa-PR, a região dos Campos Gerais e o próprio Paraná o MCG divulgou o site com milhares de fontes para acesso ao público em geral e pesquisadores. Acesse: https://omekas.apps.uepg.br/s/mcg/page/museu Essa iniciativa, de fato, é uma tremenda evolução para o campo da história, da memória e do patrimônio de PG e das cidades que fazem parte dessa grande região paranaense. Parabenizamos o Professor Edson Armando Silva e toda a equipe do MCG por essa belíssimo trabalho!
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